Olho os cantos do meu quarto sob a ténue luz que chega através da porta entreaberta. Uno então os vértices através de linhas imaginárias, movendo os olhos para as formar. Procuro aí o ponto de intersecção das duas rectas e pouco depois me canso do que vejo. Analiso o espaço sobre outro ponto de vista e formo agora linhas misteriosas que se unem e dão origem a formas irregulares. Assim me divirto. Um estranho divertimento, sou obrigada a admitir. Mas gosto realmente deste divertimento solitário. A solidão e quietude agradam-me. Enquanto isso me chateia a monotonia de uma companhia pouco interessante. Assim me agrada ver como tão facilmente me envolvo em estranhos deleites com a minha própria companhia. Pecado meu, quiçá. E hoje pecarei ao percorrer recantos escondidos dos mais estranhos lugares, à velocidade da minha solidão. E só Deus sabe como gosto disso.
