Por edelweiss | Segunda-feira, 03 Janeiro , 2011, 19:49

"When I came out into society I was 15. I already knew that the role I was condemned to, namely to keep quiet and do what I was told, gave me the perfect opportunity to listen and observe. Not to what people told me, which naturally was of no interest, but to whatever it was they were trying to hide. I practiced detachment. I learned how to look cheerful while under the table I stuck a fork into the back of my hand. I became a virtuoso of deceit. It wasn't pleasure I was afer, it was knowledge. I consulted the strictest moralists to learn how to appear, philosophers to find out what to think, and novelists to see what I could get away with, and in the end, I distilled everything to one wonderfully simple principle: win or die."

Ganhei esta plaquinha no blog da Jeanette.


Por edelweiss | Domingo, 02 Janeiro , 2011, 16:41

Logo que tomou consciência da razão decidiu o que queria. Discriminação positiva e o seu nome marcado no tempo, e pelos tempos, era o que desejava. Era um desses intelectuais estúpidos mas ambiciosos, com um pinguinho mínimo de juízo. Vivia incompreendido, mas satisfeito, em busca da melhor maneira de deixar o seu nome gravado na história das artes. Passava os seus dias a projectar futuros admiráveis. Produziu na sua mente mais que milhares, mas sempre lhe faltavam as faculdades para os levar a cabo. Um dia, num desses dias em que o sol brilhava esplendorosamente, descobriu, por cima de um leque, o olhar afectuoso e sedutor daquela que considerou, logo ali, a mulher da sua vida. E assim, imediatamente a inspiração lhe surgiu. Escreveria o livro perfeito, delicado como um rosa e de cheiro a flor de jasmim, onde se poderiam ler os mais ardentes versos de amor. Poderia levar uma vida a escrevê-lo, pouco lhe importaria, seria perfeito. E, mais a mais, o que era uma vida nos braços daquela esplêndida mulher? E assim, depois de um cortejo fácil, deram o nó, entre outras coisas. A mulher, de um fogo inabalável, mantivera-o entretido nos primeiros dias, por entre lençóis de delicado linho e doces suspiros abafados. Mas depressa aquela fogosidade lhe deu a inspiração necessária para os primeiros versos. Sentara-se na escrivaninha, a escrever sob o papel e rasga-lo de seguida com um grave trejeito. Passou dias nisto. Já não escutava os anseios da mulher que suspirava pelos cantos, vendo o lume que lhe ardia no peito apagado pela falta de atenção do outrora dedicado marido. Passaram-se meses nisto. E por fim passaram anos. A mulher bordava dias a fio e já nem se dava ao trabalho de suspirar porque o esposo parecia ter ouvidos moucos. Todos os dias, à mesma hora, a mulher saia para satisfazer os anseios e soltar os seus vagidos nos braços de um outro homem. Todo o lugar parecia saber e, os já não muito recentes amantes, não se importavam com os espectadores que de quando a quando surgiam para os ver balouçar atrás das árvores. Apenas o marido permanecia alheio a tudo isto. Oh!, como era doce a sua alheação! Escrevia os mais lindos versos de amor à sua Dulcineia que, sem ele saber, se perdia nos braços de outro. Tudo o que ele sabia era que trabalhava na obra mais perfeita de todos os tempos. Pobre, não tinha noção que a perfeição da sua obra era apunhalada pelas abrasadas e impetuosas infidelidades da sua mulher. E a mulher, nem no leito de morte, se lhe compadeceu. Quis saber então o que é que aquele traste fez durante os anos em que não lhe tocou nem com aponta daqueles rudes dedos. Viu duas páginas em cima da escrivaninha. Leu-as com desdém, a traidora, sem sentir sequer um leve peso na consciência. Pousou de novo as páginas em cima da escrivaninha e voltou para o leito do seu esposo para o ver morrer aos poucos e poucos a sorrir para aquela mulher que amou a vida toda. E assim, com duas páginas imperfeitas em cima da secretária, levou Deus aquela pobre criatura que nem conseguira sequer deixar o seu nome marcado nos seios da sua mulher, quanto mais na história das artes...


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