Por edelweiss | Quarta-feira, 29 Setembro , 2010, 19:50

 

“A woman who pretends to laugh at love is like a child who sings at night when he is afraid”


Por edelweiss | Segunda-feira, 27 Setembro , 2010, 18:38

Já atingi o ponto em que todo e qualquer acto que demonstre sanidade mental se assemelha a uma aberração.


Por edelweiss | Sexta-feira, 10 Setembro , 2010, 14:49

❝A leitura dos dias faz-se a partir de vitrais de água

e sombra de palavras

paisagens cidades descobertas algures sob os dedos

estranguladas na incerteza mineral da noite

onde o cansaço me devora impedindo-me de prosseguir

 

e ao aproximar-me do centro vertiginoso da página

o movimento da mão torna-se lento e a caligrafia meticulosa

a sede devassa a escassez dos corpos

o monólogo embate

despenha-se pelas brancas margens da desolação

 

o enigma de escrever para me manter vivo

a memória desaguando a pouco e pouco no esquecimento perfeito

para que nada sobreviva fora deste corpo viandante

 

vou assinalar os percursos da ausência e as visões

doutros lugares de sossegados amarantos... alimentar a escrita

com o sangue de cidades e de facas engorduradas

onde os corpos adquirem a violência noctívaga da fala

desfazendo-se depois da carícia viscosa dos néons

 

mas existe sempre um qualquer lume eterno

um coração feliz à esquina dos sonhos

surge agora o deserto que toda a noite procurei

está em cima desta mesa de trabalho no meio das palavras

donde nascem indecifráveis sinais... irrompe

o movimento doutro corpo colado ao aparo da caneta

desprende-se da folha de papel agride-me e foge

deixando-me as mãos tolhidas num fio de tinta❞


Por edelweiss | Quinta-feira, 09 Setembro , 2010, 11:15

Olho os cantos do meu quarto sob a ténue luz que chega através da porta entreaberta. Uno então os vértices através de linhas imaginárias, movendo os olhos para as formar. Procuro aí o ponto de intersecção das duas rectas e pouco depois me canso do que vejo. Analiso o espaço sobre outro ponto de vista e formo agora linhas misteriosas que se unem e dão origem a formas irregulares. Assim me divirto. Um estranho divertimento, sou obrigada a admitir. Mas gosto realmente deste divertimento solitário. A solidão e quietude agradam-me. Enquanto isso me chateia a monotonia de uma companhia pouco interessante. Assim me agrada ver como tão facilmente me envolvo em estranhos deleites com a minha própria companhia. Pecado meu, quiçá. E hoje pecarei ao percorrer recantos escondidos dos mais estranhos lugares, à velocidade da minha solidão. E só Deus sabe como gosto disso.

 


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